Ecologia e Conservação do Tatu-Canastra no Cerrado do Brasil Central

Realizado no Parque Nacional das Emas, este projeto procura responder importantes questões sobre a ecologia e conservação do tatu-canastra.

Este projeto é realizado na região do Parque Nacional das Emas e entorno desde 2004, abordando aspectos sobre a ecologia (área de vida, habitat, dieta e densidade), epidemiologia, genética e conservação da espécie. O tatu-canastra, classificado como ameaçado de extinção pelo IBAMA e vulnerável pela IUCN é o maior tatu das Américas. Aparentemente as ameaças à espécie estão relacionadas à perda de seus hábitats naturais e à caça (Wetzel, 1982). O Tatu-canastra pode chegar a pesar 55 kg e sua alimentação é composta exclusivamente por insetos e raízes. É um animal de hábito noturno, e representa uma potencial presa para a onça-pintada.

Os dados desta pesquisa estão sendo coletados através de armadilha fotográfica, radio-telemetria, observação direta, censo de rastros e coleta de material biológico (fezes, sangue e ectoparasitas). Com o apoio da pesquisadora Carly Vynne, da Universidade de Washington, cães farejadores de fezes foram também utilizados na coleta de informações.

A população de tatus-canastras está estimada em 50 indivíduos adultos (3,36 indivíduos/km2) no interior do Parque das Emas. Até o momento, 11 indivíduos foram capturados e equipados com radio-transmissor: 9 tiveram o radio-transmissor fixados na carapaça e 2 foram submetidos à cirurgia para implante do radio-transmissor. Através da radio-telemtria registrou-se uma área de vida de 10 km² para a espécie. Na região, o tatu-canastra mostrou preferência para habitats abertos, tais como Cerrado aberto, campo, ou beiras de várzeas. Através dos 65 registros fotográficos de tatus-canastra obtidos por armadilhas fotográficas, mostrou-se um padrão de atividade predominantemente noturno, com nenhum registro obtido entre 10:00 e 18:00 hs (Silveira et al., 2009). Esses resultados mostram que o Parque Nacional das Emas abriga uma importante população de tatu-canastra que precisa ser conservada.

Referências:

Silveira, L.; Jácomo, A. T. A.; Furtado, M. M.; Tôrres, N. M.; Sollmann, R.; Vynne, C. 2009. Ecology of the giant armadillo (Priodontes maximus) in the grasslands of central Brazil. Edentata, in press.

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