Metodologia

Cães farejadores de fezes

O uso de cães treinados na detecção de fezes de animais selvagens é um método não invasivo bastante eficaz no estudo de animais de hábitos cripticos. Encontrar fezes de onça-pintada na natureza ao acaso é muito raro. Desta forma, o uso de cães farejadores aumenta a probabilidade de sucesso na localização de fezes no campo. Através das fezes é possível obter informações sobre aspectos alimentares, genéticos, hormonais e sanitários de onças-pintadas. Ou seja, é possível contar e estimar o tamanho de uma população, saber a distribuição dos sexos numa determinada área, conhecer do que estão se alimentando, determinar níveis de estresses, reprodução e condições de saúde. Os cães treinados saem a campo com um condutor (biólogo) para procurar apenas fezes de onça-pintada. Em média se percorre em média 10 km por dia, ou seja, é possível cobrir grandes áreas de procura em curto período de tempo.

Captura de onças-pintadas

As onças-pintadas de vida livre podem ser capturadas através de três metodologias: cães rastreadores treinados, armadilhas do tipo gaiola iscadas com animal vivo (carneiro, porco, galinha) ou laços (snares). As armadilhas do tipo gaiola possuem um sistema de desarme tipo “guilhotina”, que é acionado por um gatilho no momento em que o animal entra na gaiola para comer a isca viva. Os laços são armados em trilhas naturais da espécie ou ao lado de carcaças de presas abatidas pela onça-pintada. Cães rastreadores, por sua vez, são utilizados para farejar e trilhar a onça-pintada a partir de seus rastros frescos encontrados no campo. Uma vez encontrada, a onça acuada geralmente sobe em uma árvore, aonde será imobilizada, utilizando-se um rifle a gás, que lança um dardo contendo anestésico.

Radio-telemetria

A radio-telemetria é uma ferramenta muito utilizada para conhecer os aspectos ecológicos de uma espécie, como: a sua área de vida, o seu padrão de deslocamento, a utilização de hábitats e os seus padrões de atividade. Todo animal adulto capturado para estudos pelo Instituto Onça-Pintada é equipado com radio-colar VHF e GPS e monitorado continuamente. Os sinais dos animais são captados por um receptor e uma antena ao mesmo tempo que monitorado por satélite. Cada colar possui uma freqüência específica e a duração da bateria varia entre 12 e 36 meses. Os colares possuem sensores de movimento, sendo possível saber quando o animal está em atividade. Os colares equipados com GPS coleta a posição geográfica do animal monitorado em intervalos de tempo pré-determinados. As posições são armazenadas no colar e podem ser descarregadas em um receptor a uma distância de poucos quilômetros.

Armadilha fotográfica

As armadilhas fotográficas são ferramentas eficientes para detectar a presença de espécies, assim como, para se conhecer a riqueza e abundância da fauna em uma determinada área. Através desta metodologia é possível obter informações importantes sobre animais de difícil observação. Ainda, no caso de onça-pintadas que possuem padrão pelagem (pintas) individualizados, ou seja, nenhuma onça é igual quanto ao seu padrao de manchas, é possivel contar o numero de animais de uma determinada área. Ativada por um sensor infravermelho de movimento e calor as fotografias são tiradas automaticamente toda vez que algum animal passa em frente a armadilha.